Por Lucas Alarcão
Agência de Notícias CEUB
A jornada começou com cinco anos de idade. Depois de ver um amigo da escola andando com uma
medalha no pescoço, ele pensou : “Eu também quero ganhar uma medalha”. Parecia ser algo
apenas material, mas quem o conhece, sabe que vai muito além disso. A mãe, Sabrina
Nazário, respondeu que deveria começar a treinar.
Contudo, ele sabia que conquistar uma medalha não seria fácil. Não acontece de um dia para o outro. A glória não nasce no pódio, e a jornada em busca da sonhada medalha exigiu a superação de
inúmeras barreiras.
O primeiro grande desafio foi a definição de um propósito: decidir pelo que valeria a pena se esforçar. Por uma ironia do destino, a resposta estava dentro de casa, pois o pai, Antônio Eduardo, era faixa preta de Karatê, e essa herança definiu o seu esporte.

Ele não entrava no tatame para brincar. Sua própria família diz “Isso é coisa de Gustavo
Nazário”. A definição dessa frase é: Ser o melhor em todo esporte que fizer. E assim o fez. Morador da Cidade Ocidental, hoje 14 anos depois do início da sua caminhada no Karatê, ele
se orgulha do que conquistou. Além disso, ele inspira jovens da sua região a acreditarem em si
e lutarem por seus sonhos.
“Isso é o que mais me dá orgulho de mim mesmo. De saber que tem jovens que saem de casa para treinar, e pensam: ‘Caramba, ele conquistou títulos, então eu também posso chegar lá’. Porque aqui, na Cidade Ocidental, temos muitos atletas com grande potencial. Às vezes, o que os desmotiva é o pensamento de morar numa cidade pequena, no interior, e pensar que não terão muitas oportunidades”.
Campeão mundial
O que era para ser apenas uma corrida atrás de uma medalha se tornou mundial, literalmente.
Em 2026, com 19 anos, Gustavo Nazário se tornou bicampeão mundial de Karatê na
modalidade Kumitê (combate). Nos momentos difíceis, e foram muitos, no cansaço depois dos
treinos, em ir treinar todos os dias a noite, ele afirma que pensa sempre em sua família para
continuar batalhando.
“Minha família está sempre comigo. Eles sabem o quanto eu me esforço, o quanto eu chego
em casa cansado, o quanto eu quero alguma coisa. Então, eles e Deus são as pessoas que
sempre estão na minha cabeça em qualquer conquista porque eu sigo batalhando para dar
orgulho a eles, para eles se sentirem orgulhosos da pessoa que eu tô me tornando”, vislumbrou
o lutador.
Para Gustavo a conquista do bicampeonato começou de forma diferente. Parecia,
que de alguma forma, ele já podia sentir. “’Eu vou conseguir porque eu treinei para isso, eu não
estou aqui à toa. Me lasquei treinando o ano inteiro”.
Do momento em que saiu do hotel, seu modo de pensar e agir já era diferente. Em uma
competição de alto nível, o detalhe pode ser responsável por mudar o rumo das coisas. Neste
torneio, realizado em Malta, o atleta do entorno do DF enfrentou adversários de alto nível
técnico da Itália, França e Espanha. Com a vitória, Nazário se firmou como uma das grandes
promessas do esporte brasileiro.
Mestre
Para além do alicerce familiar, sua gratidão transborda em direção ao mestre Marcelo Lima, a
mão que lapidou sua essência e disciplina. Como o próprio Gustavo ecoa, ele é o mentor que
“Me criou desde pequeno no Karatê”.
Com o coração vertido em palavras de puro orgulho, seus pais definem essa trajetória vitoriosa
não como um acaso.


