Jornaleiro do Guará diz que venda de álbum da Copa é um dos grandes momentos do ano; “vale cada segundo”

Por Leonardo Rodrigues
Agência de Notícias CEUB

Às vésperas da Copa do Mundo, os proprietários de bancas de jornal estão ansiosos para começar a vender o álbum. Entre eles, o advogado Flávio Salomão, de 47 anos, da banca da QE 28, no Guará 2, a cerca de 15 quilômetros do Plano Piloto.

“As pessoas trazem suas próprias mesas, ficam ali sentadas na frente, começam a trocar figurinhas entre elas e atrai muito público”, disse o proprietário do estabelecimento.
“Hoje, estou feliz. Não em termos financeiros, porque tem que batalhar todo dia. Mas em termos pessoais, ser dono de banca vale cada segundo”, finalizou o jornaleiro

Novidade na praça
Nos últimos 5 anos, a Banca Santa Bárbara, no Guará I, fechou. E nesse mesmo período, a ex-proprietária da banca de jornal “da QE 28” se absteve da atividade por problemas de saúde. Foi nesse momento que o advogado Flávio Salomão surgiu. Há quase três anos, ele se tornou o responsável pelo quiosque no local. O horário de funcionamento é de terça a sábado, das 8h às 17h, e aos domingos, das 8h às 12h. O Guará fica a cerca de 15 km do Plano Piloto.

“Em Copa do Mundo já tem, por exemplo, em pré-venda, mais de 100 álbuns e num preço 10 vezes maior do que o preço comum de um álbum”, contou Flávio entusiasmado.

Mesmo sendo um tiro certeiro para os profissionais da área, a proporção do evento é algo que assusta até quem já está acostumado.

Em uma pracinha com árvores, uma quadra poliesportiva, parque de areia e amarelinha para crianças, fica o “recente” empreendimento de Flávio, rodeado de outros estabelecimentos como pastelaria, restaurantes e mercados. A banca já possui mais de 40 anos de existência e, por isso, conhecida do local.

Origem
Nascido e criado no Guará junto com os seus dois irmãos, que hoje não moram mais na região, Flávio, que hoje tem 47 anos, teve a oportunidade de morar em outras cidades e estados. Entretanto, ele sentiu saudade do lugar que hoje chama de lar. Como muitos brasileiros, relembrou que teve a infância muito exigida em termos de estudo.

“Eu tive que fazer minha graduação de nível superior (em direito) para depois escolher o que eu queria”, contou o guaraense.

Embora trate a chance de ser proprietário de um ponto de venda como uma oportunidade de trabalhar perto de onde seus pais moram e não como um sonho pessoal, ele confessou que isso o fez se tornar uma pessoa mais humana.

Na sua época de jovem, ele estudou em escola particular e se formou em direito, apesar de não advogar mais. “Cansei de tentar resolver problemas dos outros”, disse o jornaleiro.

Mas ele comentou que não seria nada sem a formação superior, e que, graças a ele, fala com orgulho que é dono de uma banca de revistas. “O Direito que me fez entender que não existe ninguém melhor do que ninguém. São simplesmente escolhas que a gente faz na vida”, relatou.

Por mais que existam momentos desagradáveis (no atendimento ao público), o guaraense falou dos bons momentos que passa cotidianamente sentado entre os livros e jornais.

Abrigo
Com o seu público alvo hoje sendo crianças e idosos, ele revelou que são inúmeras as pessoas de terceira idade que pedem ajuda para realizarem tarefas diárias, desde desbloquear o celular a imprimir imposto de renda.

Ele acredita que o local se tornou um lugar de refúgio para elas, que podem estar passando por problemas pessoais em casa ou apenas não possuem quem os ajudam onde moram.

“A gente passa quase o dia inteiro ouvindo histórias de pessoas. Sou hoje um lutador para tentar manter essa banca”, testemunhou o advogado.

Novas estratégias
Com a diminuição da mídia impressa e o avanço das tecnologias digitais, o advogado falou que vende no máximo 10 jornais diários aos finais de semana. Ele comunicou que, para se adaptar ao comércio atual, vende mais o “jornal pet”, utilizado como local higiênico de animais ou como forro para pinturas, do que o jornal diário.

Ele acredita que atualmente, existem aproximadamente 160 bancas de jornais em todo o Distrito Federal, número que, em menos de duas décadas atrás, ultrapassava a casa dos 1000.

Destes 160, apenas cinco estão situados na região administrativa. “Temos clientes aqui de Águas Claras, Taguatinga, e de outros lugares”, revelou o empresário.

Mesmo com as vendas, ele se mostrou incerto com o futuro e acredita que essas bancas ficarão extintas ao decorrer do tempo, apesar de não querer isso. Flávio Salomão acrescentou que a maioria do público não sabe que existem muitos outros produtos sendo vendidos nas bancas, e que, isso ainda está engessado na cabeça dos consumidores.

“Vendemos coisas aqui que no shopping custam 10 vezes mais caro, e as pessoas não sabem disso”, comentou.

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