Casos de câncer devem ultrapassar 10 mil por ano no DF até 2028

Por Carliane Gomes
carliane.gomes@gmail.com

O Distrito Federal deve registrar mais de 10 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ao todo, são 10.070 diagnósticos anuais previstos. O cenário acompanha a tendência nacional, que projeta cerca de 781 mil novos casos por ano no país no mesmo período. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta quarta-feira (8), especialistas alertam que, embora a doença esteja entre as principais causas de mortalidade no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares, uma parcela significativa dos casos pode ser evitada com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida.

Na capital federal, ao excluir o câncer de pele não melanoma, tipo mais comum e de menor letalidade que o melanoma, o número de novos diagnósticos é de cerca de 7,6 mil casos por ano. Dados do INCA indicam distribuição entre os gêneros, com estimativa de 4.540 casos em homens e 5.530 em mulheres anualmente. Os tipos mais incidentes no DF são câncer de mama, próstata, cólon e reto, traqueia, brônquio e pulmão e estômago, conforme o instituto.

Na rede pública do Distrito Federal, a porta de entrada para o diagnóstico e tratamento do câncer são as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). É nessas unidades que o paciente passa pela avaliação inicial e, se necessário, é encaminhado para atendimento especializado. Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a organização da rede tem buscado garantir maior agilidade no acesso ao tratamento. “A porta de entrada para todos os atendimentos é a atenção básica, onde o paciente é avaliado e, quando necessário, encaminhado para a atenção especializada de forma regulada”, informou a pasta.

De acordo com a secretaria, a ampliação da capacidade de atendimento e a reorganização do fluxo assistencial têm permitido identificar pacientes que aguardavam na fila e encaminhá-los com mais rapidez para o início do tratamento. O rastreamento é uma das principais estratégias no combate ao câncer, pois permite identificar a doença em estágio inicial, aumentando as chances de cura. No caso do câncer de mama, a rede pública segue as diretrizes do INCA e do Ministério da Saúde, que recomendam a realização de mamografia a cada 2 anos para mulheres entre 50 e 74 anos.

A partir dos 40 anos, o exame pode ser feito mediante avaliação médica. “A recomendação é que mulheres dentro da faixa etária preconizada procurem a Unidade Básica de Saúde de referência para inclusão no sistema de regulação. Já pacientes com sinais ou sintomas suspeitos têm prioridade no atendimento”, destacou a Secretaria de Saúde. Na rede pública, a mamografia é ofertada em unidades como o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional de Ceilândia (HRC) e Hospital Regional do Gama (HRG), entre outras. Para o câncer de próstata, as diretrizes não recomendam o rastreamento de rotina em homens sem sintomas. Exames como o PSA e o toque retal são indicados apenas em casos específicos, como presença de sintomas urinários ou histórico familiar da doença.

A oncologista Gabrielle Scattolin, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), afirma que o desenvolvimento do câncer está, muitas vezes, associado a fatores acumulados ao longo da vida. “O câncer não surge de um dia para o outro. Ele é, muitas vezes, resultado de um conjunto de fatores acumulados ao longo dos anos. O que preocupa é que, mesmo com tanta informação disponível, ainda vemos uma baixa adesão a hábitos saudáveis e aos exames preventivos”, afirma. Segundo a especialista, ainda há uma percepção equivocada sobre a doença. “Existe uma falsa sensação de que o câncer é sempre uma fatalidade ou uma questão genética, quando, na realidade, uma parcela significativa dos casos está ligada ao estilo de vida”, explica.

Fatores como tabagismo, consumo de álcool, alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade estão entre os principais responsáveis pelo aumento dos casos. “Não adianta termos os melhores tratamentos se as pessoas continuam chegando tardiamente aos serviços de saúde. A população precisa entender que ela é protagonista nesse processo”, afirma Scattolin. De acordo com o INCA, cerca de 30% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do tabagismo. “O câncer não é apenas uma questão médica, é uma questão social. Quando a população entende seu papel e age de forma preventiva, conseguimos salvar vidas em larga escala”, conclui a oncologista.

Saiba mais

Para reduzir o tempo de espera, a Secretaria de Saúde do DF implantou, em julho de 2025, o programa “O câncer não espera. O GDF também não”. Segundo a pasta, a iniciativa reduziu em 80% o tempo médio para a primeira consulta oncológica, que caiu de 81 para 16 dias. O acesso à radioterapia também foi agilizado, com redução de 87 para 26 dias, o que representa uma queda de 70%.

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