Nos bastidores da política local, cresce a aposta de que o deputado distrital Joaquim Roriz Neto pode desembarcar do PL. Apesar da boa relação com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, o clima no diretório do DF anda longe da tranquilidade. A ruptura da líder do partido na capital, deputada Bia Kicis — que prepara uma chapa puro-sangue ao Senado ao lado de Michelle Bolsonaro — foi apenas a ponta do iceberg.
O segundo sinal veio com a mudança de postura do distrital Thiago Manzoni, até então aliado de primeira ordem do governo Ibaneis Rocha. O parlamentar afirmou ter sido enganado no episódio envolvendo as tentativas frustradas de compra do falido Banco Master pelo BRB. Recalculou a rota, votou contra o Executivo no projeto que autorizou a utilização de terrenos do GDF para socorrer o Banco de Brasília e acabou perdendo espaço na estrutura do governo.
Manzoni foi além. Protocolou o pedido de abertura da CPI do BRB, iniciativa que acendeu o alerta no Palácio do Buriti. A proposta do PL é vista como um movimento arriscado para Roriz Neto, que ainda não assinou o requerimento, e para Roosevelt Vilela, que já subscreveu o documento e teme eventuais retaliações.
Enquanto o cenário se embaralha, caciques do MDB trabalham nos bastidores para atrair o herdeiro político de Joaquim Roriz. Seria, em certa medida, um retorno do clã ao ninho. Roriz iniciou sua trajetória no antigo MDB, em 1966, voltou ao partido nos anos 1980 — já como PMDB — e ali consolidou parte decisiva de sua carreira, com três de seus quatro mandatos como governador do DF (1988, 1998 e 2002) e a eleição para o Senado (2006).
Publicamente, Roriz Neto nega qualquer mudança de legenda e reforça a amizade com Valdemar Costa Neto. Ainda assim, é visto como nome cobiçado pelos emedebistas. O distrital mantém boa relação com o governo e proximidade com o deputado federal Rafael Prudente, uma das lideranças emergentes do partido.
Uma eventual migração também fortaleceria o grupo da vice-governadora Celina Leão (PP). A hoje número dois do Buriti começou a trajetória política na militância rorizista e foi chefe de gabinete da mãe de Roriz Neto, Jaqueline, em seu primeiro mandato como deputada distrital. Em 2010, chegou à CLDF com o apoio político de Roriz.


