Fechar as contas no fim do mês tem sido um desafio para os moradores da capital. O Distrito Federal é a unidade da federação com o maior custo mensal de vida para a população. Em média, o brasiliense gasta por mês R$ 4.920. O dado é da pesquisa Custos de Vida do Brasileiro, referente ao mês de janeiro deste ano feita pela Serasa.
O levantamento aborda diferentes categorias para destacar o gasto médio mensal dos brasileiros. Das dez categorias trazidas na pesquisa, o DF liderou em seis delas e figurou entre os três primeiros nas outras quatro categorias. O Jornal de Brasília ouviu dos brasilienses quais as principais dificuldades na hora de fechar a conta todos os meses.
Para Bruno Ribeiro, 33, que trabalha como técnico de videogames, um dos pontos que mais afeta os brasilienses é a moradia. Por ter a casa própria na Ceilândia, o técnico tem mais facilidade com os gastos no mês. “A moradia eu acho bem caro. Se você pega um aluguel, por exemplo, no Cruzeiro vai sair caro o custo de vida. Então o certo é fazer um esforço para eu conseguir um imóvel próprio porque no aluguel aqui você não consegue não”, ressaltou.
O levantamento da Serasa mostra que o DF está em terceiro lugar (gasto médio mensal de R$ 1.330) quando se trata de moradia, aqui envolvendo aluguel, condomínio e financiamento. A capital fica atrás apenas do Paraná (R$ 1.340) e de Santa Catarina (R$ 1.380). “Se tiver um aluguel para pagar atrapalha bastante. Vai levar praticamente 60% do valor do seu salário”, relatou Bruno, que disse já ter morado também de aluguel.
Se o gasto mensal com moradia não preocupa Bruno, outras despesas não dão trégua. “Hoje as compras pesam mais no bolso. Às vezes, dependendo do mês, dá uma apertadinha. Algum carro quebra ou, por exemplo, esse mês tem material escolar, tem IPVA. Então acaba que nesse mês é um pouco mais puxado, mas a gente consegue suprir as necessidades”, completou o técnico.
Para o confeiteiro Wesley Eduardo, também de 33 anos, é sempre preciso ser feito um esforço a mais para pagar as contas do mês. Com a esposa e a filha morando em Taguatinga, ele contou que às vezes o orçamento fica curto. “Tem que tentar fazer alguma coisa para ganhar mais um pouco. Senão não tem como passar um mês tranquilo”, comentou Wesley.
Líder em gastos
Fora as categorias de moradia, compras de supermercado, contas recorrentes – como água e luz – e cuidados pessoais, o DF lidera nas demais analisadas pela pesquisa. São elas: compras em geral (R$ 490); transporte/mobilidade (R$ 520); saúde e atividade física (R$ 780); alimentação pronta ou fora de casa (R$ 350); lazer (R$ 470); e educação (R$ 940).
Para o economista Newton Marques, esse alto gasto na capital pode ser explicado pelo fato de que o DF tem o maior rendimento médio entre as unidades da federação. Contudo, conforme explicou o especialista, isso não significa necessariamente que a renda é igual para os moradores da capital. “A desigualdade é um problema sério aqui do DF. A distribuição da renda em certas regiões é pior do que a distribuição nas regiões mais ricas. Então você tem essa desigualdade”, alertou.
De acordo com a pesquisa recente de Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de 2024, o DF registrou um Índice de Gini (0,547), o maior do Centro-Oeste. Esse é um dos principais indicadores que medem as desigualdades na distribuição de rendimentos, sintetizando-a em um único valor que varia de 0 a 1, sendo 0 a situação de perfeita igualdade na distribuição dos rendimentos e 1, de perfeita desigualdade, onde todo o rendimento estaria concentrado nas mãos de uma única pessoa.
“Se você comparar as regiões administrativas, vai ver que a desigualdade é muito grande. Você vê a contradição. Brasília tem a maior renda média, mas é mal distribuída”, enfatizou Marques. Outra questão destacada pelo economista foi o endividamento pela dificuldade de lidar com as despesas durante o mês. “Há pouco tempo que fui descobrir que as pessoas compram até comida com o cartão de crédito. Você imagina como é que não sai caro você financiar com cartão de crédito a comida. Você vai empurrando com bola de neve”, indicou.
O Jornal de Brasília procurou o GDF para entender quais possíveis políticas podem ser pensadas para auxiliar as pessoas que não conseguem acompanhar o alto custo de vida na capital, mas não houve manifestação até o fechamento da edição.



