Por Larissa Barros
Os blocos transformam as cidades em grandes palcos a céu aberto durante o Carnaval. Em meio a festa, os foliões precisam redobrar a atenção não apenas com furtos, principalmente de celulares, mas também com a própria saúde. Calor intenso, consumo de álcool e alimentação na rua exigem cuidados para que a folia não termine em prejuízo ou atendimento de emergência. Especialistas orientam sobre como se prevenir e o que fazer em situações de risco.
Dados da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) mostram que, no carnaval do ano passado, foram registradas 106 ocorrências, sendo 72,6% furtos, em sua maioria de celulares. Os crimes costumam ocorrer em momentos de grande aglomeração, quando a movimentação fica mais difícil e a vigilância sobre os pertences diminui.
O advogado criminalista Amaury Andrade explica que a prevenção é a melhor defesa. “A regra de ouro é: não leve para o bloco o que você não está disposto a perder. Documentos originais e cartões múltiplos devem ficar em casa”, orienta. Ele também recomenda evitar deixar objetos visíveis, optar por bolsos com fechamento em zíper e manter mochilas sempre à frente do corpo. Para os celulares, cordões presos à roupa ou porta-celulares usados sob a vestimenta são alternativas mais seguras.
Mas, caso o furto aconteça, é preciso agir rápido. “A primeira ação, assim que notar o sumiço, deve ser bloquear o aparelho e os cartões pelo aplicativo do banco ou ligando para as operadoras. Isso é mais urgente do que fazer o boletim de ocorrência naquele momento, pois impede o uso criminoso”, afirma Andrade.
Em seguida, o registro do boletim de ocorrência é fundamental. Muitos estados oferecem a opção online, o que agiliza o processo. “O B.O. é crucial para comprovar o crime junto à operadora de telefonia e ao seguro, se houver”, explica o advogado. Ele também orienta monitorar movimentações bancárias e tentativas de acesso a redes sociais, além de alterar senhas o quanto antes. Caso o aparelho tenha função de rastreamento, a localização pode ser acionada, mas sem tentar recuperá-lo por conta própria, o que pode ser perigoso.
Saúde
Além da segurança patrimonial, a saúde também merece atenção redobrada durante a folia. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), os principais atendimentos nesse período envolvem consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, desaparecimento de crianças, desmaios causados por insolação e desidratação, além de quedas, torções e cortes provocados por cacos de vidro.
Em meio a grandes multidões e altas temperaturas, o órgão orienta evitar permanecer em locais com alta concentração de pessoas, priorizando espaços onde seja possível se movimentar com facilidade. A recomendação inclui ingerir alimentos leves ao longo do dia e manter hidratação constante, com consumo regular de água.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça que a hidratação deve ser prioridade, com ingestão média de dois a três litros de água por dia, quantidade que pode aumentar conforme o calor e o esforço físico. Sucos naturais, água de coco e isotônicos também ajudam na reposição de líquidos. Sinais como boca seca, tontura, dor de cabeça, urina escura e cansaço excessivo indicam desidratação e exigem pausa para descanso e reforço na ingestão de líquidos.
O consumo excessivo de álcool, além de contribuir para a desidratação, pode causar intoxicação e aumentar o risco de acidentes. A orientação é moderar e alternar as bebidas alcoólicas com água. A SES-DF também alerta para o risco de bebidas falsificadas ou sem procedência e recomenda priorizar produtos com rotulagem adequada e embalagens seguras.
Quanto a alimentação, a recomendação é consumir apenas alimentos de locais com boas condições de higiene e evitar produtos expostos ao sol ou sem refrigeração adequada, reduzindo o risco de infecções intestinais.
Os sinais de insolação incluem pele quente e avermelhada, aumento da temperatura corporal, dor de cabeça intensa, náuseas e fraqueza. Em casos mais graves, podem ocorrer desmaios, confusão mental, convulsões e dificuldade respiratória. Situações leves a moderadas devem ser encaminhadas a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Já em casos graves, a orientação é acionar o Samu, pelo 192, ou procurar atendimento hospitalar imediatamente.
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada, com reforço na hidratação, alimentação leve e menor exposição ao sol, especialmente entre 10h e 16h. A SES-DF informou ainda que participou das reuniões de alinhamento interinstitucional coordenadas pela Secretaria de Segurança Pública para o planejamento operacional do Carnaval. A definição das portas de entrada para urgências e emergências integra o Plano Operacional da Segurança Pública, considerando o local dos eventos, estimativa de público e perfil de risco.
Segundo a pasta, a rede de urgência e emergência do DF está preparada para atender a demanda do período. Os encaminhamentos são definidos conforme a gravidade dos casos e a disponibilidade assistencial. O médico regulador do Samu é responsável por indicar o hospital de destino, com base na classificação de risco e na capacidade das unidades em tempo real, garantindo resposta adequada durante a folia.
Como não cair em golpes digitais?
Além dos furtos físicos, o Carnaval também exige atenção no ambiente digital. Em meio a movimentação intensa e as compras rápidas feitas na rua, criminosos aproveitam a distração para aplicar golpes por meio de maquininhas adulteradas e transferências via Pix.
“Os criminosos estão aperfeiçoando cada vez mais os golpes nos meios digitais, principalmente com o uso da Inteligência Artificial, mas muitas pessoas acabam caindo em golpes já conhecidos. Portanto, atenção redobrada e alguns cuidados de proteção são as melhores armas para se defender desse tipo de crime no carnaval”, afirma João Brasio, CEO da Elytron CyberSecurity, especialista em segurança digital.
Entre os golpes mais comuns está o uso de maquininhas de pagamento adulteradas por falsos ambulantes. Com o visor danificado ou parcialmente apagado, dificultando a visualização, o valor cobrado pode ser muito maior do que o anunciado, e a vítima só percebe depois. Também é preciso atenção redobrada na devolução do cartão, já que o golpista pode trocá-lo por outro semelhante. “Caso ele consiga registrar a sua senha, fará movimentações financeiras, até que você se dê conta”, alerta Brasio.
Outra prática recorrente envolve QR Codes falsos para pagamento via Pix. Nesse caso, o código direciona o valor para uma conta diferente da do vendedor. Antes de concluir a transação, é fundamental conferir atentamente os dados do recebedor e o valor informado. “Ainda que as novas regras de segurança do PIX tenham começado a valer há poucos dias, se prevenir de golpes evitará dor de cabeça em plena folia”.
Os cartões por aproximação também podem se tornar alvo em ambientes com grande aglomeração. “Ainda que a tecnologia desenvolvida para essa operação seja segura, os criminosos se aproveitam do tumulto, desse contato mais próximo com as pessoas, para tentar aproximar maquininhas dos cartões e, então, aplicar os golpes. O ideal é que as pessoas desativem essa função do cartão durante os festejos de carnaval”, sugere o CEO da Elytron CyberSecurity.
Em meio à festa, a orientação é simples: atenção aos detalhes, conferência redobrada antes de qualquer pagamento e, sempre que possível, preferência por formas de pagamento mais seguras e controladas pelo próprio usuário.



