Abandono em áreas centrais do DF expõe moradores a riscos e reforça sensação de insegurança

Prédios abandonados, calçadas deterioradas e estruturas sem manutenção têm se tornado um problema recorrente em áreas tradicionalmente valorizadas do Plano Piloto. Em diferentes pontos da Asa Sul e da Asa Norte, moradores relatam riscos à segurança, dificuldades de mobilidade e uma crescente sensação de abandono urbano.

Na SQS 506 Sul, onde funcionava um bar que encerrou as atividades em 2022, a degradação do espaço é visível. Desde o fechamento do estabelecimento, a calçada permanece sem manutenção, com acúmulo de sujeira e sinais evidentes de deterioração. Parte do forro do telhado desabou e a tampa de ferro do esgoto foi retirada, deixando um buraco com mais de um metro de profundidade completamente exposto. Ao redor, há apenas um caixote de madeira improvisado como forma precária de sinalização.

sqs 506 sul, predio onde funcionava um bar que encerrou as atividades em 2022 créditos daniel xavier jornal de brasília.
sqs 506 sul, predio onde funcionava um bar que encerrou as atividades em 2022 créditos daniel xavier jornal de brasília.

O local representa risco constante para pedestres que circulam pela área, especialmente em uma quadra de intenso movimento comercial. O comerciante Marcos Antonio, de 40 anos, que trabalha na região, afirma já ter presenciado situações de perigo. “Essa quadra é muito movimentada. O buraco de esgoto na calçada é um risco. Já vi pessoas andando distraídas e quase caindo. Colocaram umas madeiras em volta, mas isso também é perigoso”, relata.

Ainda na Asa Sul, moradores apontam a falta de iluminação pública como outro problema frequente, contribuindo para a sensação de insegurança durante a noite. Outro imóvel que chama atenção está localizado na SQS 114/115 Sul. O prédio azul que abrigava a antiga sede dos escoteiros está abandonado há cerca de cinco anos. As paredes estão pichadas, grades de ferro foram retorcidas e uma passagem irregular foi aberta para o interior do edifício. Dentro do imóvel, há acúmulo de lixo e mofo nas paredes. Nos fundos, a situação se agrava com resíduos espalhados pela área verde.

asa sul sqs 114 115 sul. antiga sede dos escoteiros está abandonado créditos daniel xavier jornal de brasília c (3)
asa sul sqs 114 115 sul. antiga sede dos escoteiros está abandonado créditos daniel xavier jornal de brasília c (3)

Na Asa Norte, a situação se repete. Na SQN 404, o prédio da Associação dos Agentes da Polícia Civil está fechado e passou a ser ocupado por pessoas em situação de rua. A marquise do imóvel abriga uma moradia improvisada feita com lonas, madeiras e cordas, além do acúmulo de lixo.

A moradora da Asa Norte Lindalva Gomes, de 45 anos, relata medo ao passar pelo local. “O posto que era para ser de segurança acabou virando ponto de pessoas em situação de rua. A Asa Norte está tomada. Fico receosa quando passo por aqui. O ideal seria o posto voltar a funcionar”, afirma.

Para a presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul (CCAS), Patrícia Carvalho, as queixas sobre imóveis abandonados e áreas públicas sem manutenção são constantes. “As reclamações mais recorrentes são sobre imóveis fechados e sem cuidado, que acumulam sujeira, lixo, mato alto e sofrem depredação. Esses locais passam a transmitir sensação de abandono e acabam sendo utilizados de forma irregular, aumentando a insegurança”, explica.

Segundo ela, os impactos vão além da segurança pública. “Calçadas deterioradas prejudicam idosos, pessoas com deficiência, mães com carrinho de bebê. O pedestre é o mais afetado. Além disso, a paisagem urbana degradada gera impacto psicológico, sensação de descaso do poder público e perda da qualidade de vida”, destaca.

asa sul sqs 114 115 sul. antiga sede dos escoteiros está abandonado créditos daniel xavier jornal de brasília c (2)
asa sul sqs 114 115 sul. antiga sede dos escoteiros está abandonado créditos daniel xavier jornal de brasília c (2)

Patrícia ressalta que o problema é antigo e estrutural. “Não é algo recente. São questões relatadas há anos, especialmente iluminação pública e calçadas. O Plano Piloto tem fluxo intenso de pessoas, mas muitos trechos não oferecem condições adequadas”, afirma.

O Conselho Comunitário atua como ponte entre moradores e poder público, mas enfrenta limitações. “O retorno existe, mas muitas vezes é lento, fragmentado e não resolve de forma definitiva. Falta atuação integrada entre fiscalização, manutenção urbana, assistência social e planejamento”, avalia.

Em nota, a Administração Regional do Plano Piloto informou que tem ciência das demandas e acompanha as situações relatadas. Segundo o órgão, desde 2024 são acionados os órgãos competentes para atendimento à população em situação de rua. A Administração esclareceu ainda que os imóveis citados não são de sua responsabilidade direta: o prédio da EQS 114/115 Sul é vinculado à Secretaria de Esporte e Lazer, enquanto o da SQN 404 Norte pertence à Associação dos Agentes da Polícia Civil.

A Administração afirma que realiza ações de zeladoria nas áreas adjacentes e mantém articulação com os órgãos responsáveis para que as providências cabíveis sejam adotadas.

Compartilhe esse post :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Create a new perspective on life

Your Ads Here (365 x 270 area)
Últimas Notícias
Categories

Assine para receber notícias

Cadastre seu email e receba todos os dias as nossas notícias em primeira mão.

plugins premium WordPress