Furtos no estacionamento do Aeroporto de Brasília alertam para segurança no local 

Na última terça-feira (13/01) um jovem de 26 anos foi preso em flagrante pela 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. O suspeito, que usava tornozeleira eletrônica, cometia furtos em veículos no estacionamento do Aeroporto Internacional de Brasília. O ocorrido acende um alerta para os casos de reincidência criminal na capital.

A operação, realizada pela 10ª DP, teve início com uma série de denúncias de furtos que envolviam o arrombamento de veículos no estacionamento do Aeroporto Internacional de Brasília. O criminoso agia no local desde dezembro de 2025. Segundo informações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o jovem possuía 18 passagens pela polícia  por roubo e furto.

No momento da prisão, o suspeito havia arrombado a fechadura e os vidros de três veículos, do qual furtou pneus do estepe e um aparelho de som. Ao todo, cerca de 10 automóveis foram vítimas do rapaz, que foi beneficiado com a tornozeleira eletrônica em setembro de 2025. Ele utilizou papel-alumínio para bloquear o sinal e burlar o sistema de rastreamento do aparelho. Investigações da PCDF identificaram um possível comparsa, que até o momento segue foragido. 

img 2777
Crédito: Divulgação/PCDF

Reincidência criminal

No Distrito Federal, 31,7% dos presos retornam ao sistema prisional em até um ano, índice superior à média nacional (21,2%), segundo estudo realizado em 2022 pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na capital, esse índice pode chegar até 43,2% em cinco anos.

A pesquisa analisou mais de 979 mil presos, entre 2010 e 2021, e usou dados de 13 estados brasileiros. A mostra apresenta ainda que a média nacional de 21,2% em até um ano passa para 33,5% em cinco anos. No Brasil, entre os crimes mais cometidos pelos réus estão: crimes envolvendo uso e tráfico de drogas (17%), roubos (17%), furtos (16%), ameaças (9%) e lesões corporais (7%). 

Informações do Relatório de Dados do Sistema Penitenciário, divulgados pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAPE/DF), mostram que apenas no ano de 2025 foram disponibilizadas 18.365 tornozeleiras eletrônicas. E o aumento foi gradual ao longo do ano, passando de 1.402 em janeiro para 1.694 em dezembro. No mês de setembro, quando o jovem preso no Aeroporto foi beneficiado com o aparelho, outros 1.568 detentos também foram contemplados.

Já o Anuário de Administração Pública de 2024 da SEAPE-DF revelou que um detento custa cerca de R$ 2.785,83 aos cofres públicos do DF. O valor envolve gastos como despesas administrativas, aluguéis, transporte e combustíveis, materiais de consumo, serviços essenciais, manutenção, atividades laborais e educacionais, suprimentos básicos e assistência à saúde. 

Falhas no sistema

A advogada criminal, Hannah Gomes, explicou ao Jornal de Brasília que a reincidência acontece quando o infrator comete um novo crime após ter sido condenado definitivamente por um crime anterior. Após se passarem cinco anos entre a data do cumprimento e o novo crime, o autor deixa de ser reincidente e passa a ser considerado primário, mas com maus antecedentes.

A especialista afirma que crimes patrimoniais e tráfico de droga apresentam os índices mais recorrentes, e que em muitos casos estão ligados à dependência química ou à falta de inserção no mercado de trabalho. Hannah alerta ainda que a pena privativa fala na prevenção e na ressocialização. “O sistema muitas vezes funciona como uma ‘escola do crime’, onde o preso de baixa periculosidade é obrigado a se aliar a facções para sobreviver dentro da cela”, comenta.

Ela avalia que a reincidência é fruto de falhas estruturais do sistema penal, como a superlotação e a falta de acesso ao trabalho e ao estudo nos presídios. Ainda segundo ela, o endurecimento de penas adotado pelo Legislativo não tem sido eficaz para reduzir a criminalidade e pode agravar o problema. 

“Países com baixos índices de reincidência investem em alternativas penais para crimes sem violência, além de políticas de educação e trabalho obrigatórios. No Brasil, o que comprovadamente reduz a reincidência é o acesso ao estudo e ao trabalho técnico dentro dos presídios, como no modelo das APACs, que ainda enfrenta falta de reconhecimento e credibilidade”, explica ela.

Surpresa e insegurança

O técnico de ar-condicionado Josué Mota, que utilizou o estacionamento privado do Aeroporto de Brasília para guardar o carro pela primeira vez, disse ter ficado surpreso ao ser informado pela reportagem sobre os furtos registrados no local. “Eu estacionei logo ali na frente e, de lá para cá, não vi monitoramento. Para ser sincero, se fosse à noite, eu não me sentiria seguro aqui”, relata.

O casal Júlia Maria Medeiros e Pedro Paulo de Assunção também usou o estacionamento pela primeira vez e desconhecia os furtos recentes. Surpresos, eles acreditavam que o local fosse seguro por se tratar de um serviço pago. “Por ser um espaço grande e aberto, acho que a segurança deveria ser reforçada”, afirma Júlia.

img 2787
Júlia Maria Medeiros e Pedro Paulo de Assunção usaram o serviço do local pela primeira vez e pedem reforço na segurança | Crédito: Caroline Purificação/Jornal de Brasília

Usuária frequente do estacionamento, Elaine Pires informou ao Jornal de Brasília que não tinha conhecimento dos furtos, mas disse já estar ciente da situação. Em outra ocasião, quando estava com a caminhonete, ela foi alertada por um funcionário sobre a recorrência de crimes envolvendo esse tipo de veículo no local.

img 2784
Usuária frequente do estacionamento do Aeroporto, Elaine Pires, relata surpresa com os furtos recentes | Crédito: Caroline Purificação/Jornal de Brasília

“Eu só sabia sobre a questão das caminhonetes, mas ainda achava que o estacionamento era seguro. Diante dessa ocorrência recente, é mais do que necessário que haja uma melhora na segurança”, avalia.

Pronunciamento

A Estapar, responsável pelo estacionamento, informou à reportagem que mantém monitoramento 24 horas por dia com sistema de videovigilância e que seus funcionários agiram com rapidez para levantar informações sobre os possíveis autores dos furtos. “A companhia reitera seu compromisso com a segurança e informa que, após o ocorrido, avalia e implementa medidas adicionais de segurança para fortalecer ainda mais seus protocolos”, afirmou em nota

A Inframerica também informou que o Aeroporto de Brasília conta com câmeras de monitoramento e equipes de vigilância em todo o terminal e nas áreas externas, incluindo o estacionamento. A concessionária destacou ainda que não possui poder de polícia e que a segurança pública é de responsabilidade dos órgãos competentes, aos quais presta total apoio nas investigações.

Compartilhe esse post :

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Create a new perspective on life

Your Ads Here (365 x 270 area)
Últimas Notícias
Categories

Assine para receber notícias

Cadastre seu email e receba todos os dias as nossas notícias em primeira mão.

plugins premium WordPress