Primeira militar trans das Forças Armadas recebe Título de Cidadã Honorária de Brasília


Foto: Diego Bressani/Divulgação

A Câmara Legislativa do Distrito Federal concede, nesta sexta-feira (29), às 19h, o Título de Cidadã Honorária de Brasília a Maria Luiza da Silva, a primeira mulher transexual reconhecida na história das Forças Armadas. A homenagem, proposta pelo deputado Fábio Felix (PSOL), celebra a trajetória de vida e a luta da ex-militar pelos direitos humanos da comunidade LGBTQIA+ no Brasil.

Natural de Ceres (GO) e residente no Cruzeiro, Maria Luiza nasceu em 20 de julho de 1960. Desde a infância, demonstrou paixão pela aviação, desenhando aviões e sonhando em trabalhar na área. Aos 17 anos, ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB), formando-se em mecânica de aeronaves e construindo uma carreira exemplar de 22 anos, marcada por medalhas e diplomas de reconhecimento.

Em 1998, Maria Luiza comunicou à FAB sua identidade de gênero e expressou o desejo de continuar atuando nas atividades militares. A instituição, no entanto, não a aceitou, e ela passou a enfrentar dois anos de discriminação, isolamento e violência. Em 2000, mesmo com laudos médicos que atestavam sua capacidade de trabalho e prescreviam tratamento hormonal, a junta médica da FAB a considerou “incapaz” e decretou sua reforma compulsória, encerrando sua carreira ainda como cabo e sem possibilidade de promoções.

Recusando-se a aceitar a decisão, Maria Luiza iniciou uma batalha judicial que se tornou histórica. Ainda em 2000, tornou-se a primeira militar transexual a ter sua identidade de gênero reconhecida pela Justiça, estabelecendo um precedente importante para os direitos de pessoas trans no país. O litígio contra a FAB se estendeu por mais de duas décadas e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em 2024, manteve seu direito à aposentadoria por invalidez, reconhecendo seus direitos e sua condição.

Além da trajetória pessoal, Maria Luiza tornou-se referência na luta contra a transfobia e inspiração para a comunidade LGBTQIA+. Segundo Fábio Felix, a honraria é uma forma de reconhecer sua coragem e sua contribuição na defesa dos direitos humanos.

“A trajetória de Maria Luiza ilustra as violências e discriminações enfrentadas por pessoas LGBTs. A resiliência demonstrada para trabalhar nas Forças Armadas sem abrir mão de sua identidade é prova de atos de relevante interesse social para a população do DF, bem como de sua idoneidade moral e reputação ilibada”, destacou Felix.

A cerimônia pode ser acompanhada pela TV Câmara Distrital, nos canais 9.3 (aberto), 11 da NET/Claro e 09 da Vivo, e pelo canal da CLDF no YouTube.

Com informações da Agência CLDF


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