CEB IPes apresenta modelo de iluminação pública do DF como referência nacional em fórum do setor


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Brasília deve encerrar o ano de 2025 com 100% da iluminação pública modernizada por tecnologia LED. A informação foi apresentada nesta semana pelo presidente da Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública e Serviços (CEB IPes), Edison Garcia, durante o painel “Cenários Atuais e Perspectivas” do III Fórum de Iluminação Urbana. O evento reuniu especialistas e representantes do setor de energia e infraestrutura urbana de todo o país.

Garcia apresentou o projeto de reestruturação conduzido no Distrito Federal como um case nacional. O programa substituiu mais de 320 mil pontos de luz por LED em apenas um ano, tornando Brasília o terceiro maior parque de iluminação pública do Brasil com essa tecnologia. “Foi um projeto ambicioso, que exigiu coragem do governo e uma mudança profunda no modelo de negócio”, afirmou.

O presidente relembrou a trajetória da empresa, que passou de uma prestadora de serviços do GDF para uma operadora pública com gestão direta da iluminação urbana. “Assumimos um plano de negócios insustentável, com um PMSO estourado, indicadores ruins e uma distribuidora deficitária. A partir da privatização da distribuidora e da manutenção da geração sob controle estatal, iniciamos uma transformação administrativa e financeira”, explicou.

A reestruturação elevou a companhia de um déficit de R$ 38 milhões em 2018 para uma receita recorrente de R$ 240 milhões por ano, com margem de EBITDA de 76%. Segundo Garcia, o processo foi conduzido com responsabilidade fiscal e sem intervenções no controle societário.

Parceria com o setor privado e eficiência

A modernização do parque de iluminação foi viabilizada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), considerada essencial diante da limitação orçamentária provocada pela Desvinculação de Receitas dos Estados e Municípios (DREM), que retira 30% da arrecadação da Contribuição de Iluminação Pública (CIP). “Com R$ 182 milhões líquidos, não conseguíamos pagar nem a conta de energia, que era de R$ 210 milhões, fora os custos de manutenção. A PPP foi a única alternativa sustentável”, afirmou.

O modelo permitiu transferir o investimento para o setor privado, garantindo iluminação pública eficiente e custo reduzido. A CEB IPes também realizou uma assepsia na rede, retirando cerca de 50 mil pontos de luz que atendiam áreas privadas — como condomínios fechados, o Aeroporto de Brasília e outdoors — e regularizou outras 50 mil unidades que estavam com ligações irregulares.

“Era inconcebível que o Estado custeasse energia de áreas privadas. Com essa limpeza, geramos economia imediata e devolvemos justiça ao sistema, principalmente para a população de baixa renda que passou a ter acesso legal à iluminação pública”, destacou Garcia.

Desafios das concessões e limitações urbanas

Durante o painel, o presidente da CEB IPes também criticou os descontos excessivos em contratos de concessão, que em alguns casos chegam a 50%. Ele alertou sobre os riscos da insustentabilidade financeira desses modelos. “Muitos contratos apostam na receita acessória, que ainda é um desafio real. Precisamos de mais responsabilidade nas modelagens”, afirmou.

Garcia defendeu maior engajamento dos gestores municipais no debate sobre concessões e PPPs no setor. “O Brasil tem mais de 5.500 municípios, mas apenas 150 contratos ativos. É preciso ampliar a discussão e democratizar o acesso à iluminação pública moderna e segura.”

O painel também abordou os desafios técnicos e legais enfrentados pela empresa pública. Brasília possui especificidades como o tombamento do Plano Piloto, onde 85% da iluminação está concentrada. Regras patrimoniais impedem, por exemplo, a instalação de postes ou lâmpadas em áreas como a Praça dos Três Poderes ou os gramados da Esplanada dos Ministérios, dificultando a adoção de soluções modernas de iluminação em espaços projetados por Lúcio Costa.

Imagens apresentadas no evento ilustraram essas dificuldades, revelando a necessidade de soluções técnicas compatíveis com a preservação do patrimônio histórico.

Além de Edison Garcia, participaram do painel Giovani Oliveira (Pezco Consultoria), Pedro Iacovino (ABCIP) e Leonardo Gaspar Barreto (Procel), com moderação de Miguel Noronha, presidente do Conselho da BHIP.

O III Fórum de Iluminação Urbana é promovido pela ABCIP (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública), Abilux e Abrasi, e reúne anualmente gestores públicos, empresários e técnicos para debater inovações, modelos de gestão e marcos regulatórios que impactam a infraestrutura urbana no Brasil.


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